A Fundação Cidade de Lisboa foi uma das protagonistas do episódio 9 da 4.ª temporada do Europa à Porta, o programa da RTP que mostra o impacto real dos fundos europeus em Portugal. Em foco esteve o projeto Passaporte para a Cidadania e o trabalho de proximidade que o nosso Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM) desenvolve todos os dias no centro de Lisboa.
A equipa da RTP acompanhou uma das sessões de capacitação e mentoria em grupo promovidas no âmbito do projeto, dedicada ao acesso dos imigrantes à saúde em Portugal e realizada em parceria com o GAT – Grupo de Ativistas em Tratamento.
O Passaporte para a Cidadania nasce da consciência de que Portugal é hoje um país que acolhe muitas pessoas imigrantes, e de que é preciso haver respostas dedicadas ao acolhimento e à informação. Como explicou a técnica social do projeto Thaís Melo, o objetivo é, no fundo, “tornar o sistema um pouquinho menos complexo para essas pessoas”.
As sessões de capacitação e mentoria em grupo são um dos três eixos do projeto e abordam temas que vão variando ao longo do tempo, sempre a partir das necessidades concretas de quem participa. O trabalho foi contado na primeira pessoa pela coordenadora de projetos Almudena Ferro, e pela técnica social Thaís Melo. A equipa do projeto conta ainda com a técnica do CLAIM Elisabete Martins, que acompanha o centro desde a sua criação, em 2014, e cuja experiência tem sido essencial para a continuidade deste trabalho de proximidade.
O episódio deu rosto a este trabalho através de Sebastiana Mendes Lopes, natural da Guiné-Bissau. Depois de gravidezes marcadas por várias complicações, decidiu procurar em Portugal uma vida mais digna para si e para as filhas. Chegou ao CLAIM através de um primo e conheceu a Thaís, com quem mantém desde então um contacto próximo. “Se eu tenho uma dificuldade, sempre eles me atendem na hora, sempre”, contou.
Participante assídua das sessões, Sebastiana sente que o processo de integração se tornou mais fácil. Quando a filha mais velha chegou a Portugal, conseguiu tratar do número de contribuinte e da Segurança Social de forma rápida e simples, “sem ter a dificuldade que eu tinha quando cheguei”. Para as filhas, deseja que cresçam com boa educação e saúde, “sem precisar sofrer tanto para ter esse apoio”. Aqui, em Portugal.
A reportagem não deixou de lado as dificuldades. O crescente discurso de ódio foi apontado como uma das principais barreiras ao acolhimento. A técnica Thaís Melo relembrou que os imigrantes que vivem e trabalham em Portugal contribuem para o país em mão de obra e em impostos e que, por isso, têm também o direito de ser atendidos pelos serviços públicos.
Os recursos são limitados e o trabalho em rede é essencial: “as parcerias são fundamentais para nós”, sublinhou a coordenadora de projetos Almudena Ferro, defendendo que estas respostas teriam ainda mais impacto com todos os parceiros alinhados no objetivo de melhorar a integração destas pessoas em Portugal.
A 4.ª edição do Passaporte para a Cidadania conta com um apoio de 176 mil euros para três anos de projeto, através do FAMI – Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração. Com uma equipa pequena, o projeto já apoiou mais de 1300 pessoas migrantes e refugiadas e realizou cerca de 5500 atendimentos em dois anos e meio.
Há 37 anos que a Fundação Cidade de Lisboa trabalha em prol do diálogo intercultural, e desde 2014 fá-lo também através do seu CLAIM. Como refere o Professor António Carmona Rodrigues, presidente do Conselho de Administração da Fundação Cidade de Lisboa, a interculturalidade é um intercâmbio, feito de dar e receber, e quem chega traz consigo uma cultura, uma história e uma forma de ver a vida que nos enriquece a todos.
👉 Veja o episódio completo na RTP Play: https://www.rtp.pt/play/p16666/e955034/europa-a-porta