A população que, no início do século VIII, habitava na região de Lisboa, Santarém e Almada, falava uma língua derivada do latim com vocábulos de origem mais antiga e alguns de raiz goda. Essa gente assumia, gradualmente, os ensinamentos cristãos e enquadrava-se na predicação do clero que procurava preencher o quadro cultural e administrativo abandonado desde o fim do império romano.

A expansão muçulmana integrada por contingentes árabes e berberes instalou-se sem dificuldade no espaço acolhedor da região de Lisboa e do vale do Tejo. Os conquistadores assumiam a herança da civilização grega e romana, além de elementos próprios e de influência helenística, bizantina, persa e oriental. Al-Ushbuna viveu de acordo com a vivência própria da época em que se evitavam os conflitos entre as religiões cristã e muçulmana. A luta travada em 1147 entre as forças conjugadas de D. Afonso Henriques e dos cruzados traduziu-se na vitória sobre a frágil elite árabe-muçulmana que dominava a cidade.

Prof. Doutor António Dias Farinha

 

A 12ª conferência do ciclo “Poentes Olisiponenses”, organizada pela Fundação Cidade de Lisboa, realizou-se no dia 11 de fevereiro de 2026. A sessão foi proferida pelo Prof. Doutor António Dias Farinha, que dedicou a sua intervenção ao tema “Lisboa Islâmico-Medieval”. A Conferência centrou-se na presença e na influência da comunidade Islâmica na capital portuguesa.